30.jan.2026 às 16h45
São Paulo
Representantes da indústria de pneus dizem que o setor está diante de uma crise em meio à enxurrada de produtos fabricados na Ásia, cuja entrada no Brasil é facilitada pela ausência de barreiras.
A Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos) diz que o encerramento, em dezembro, de uma planta da multinacional Michelin em Guarulhos (SP) é sintoma dessa competição desigual com os produtos asiáticos e que, se nada for feito, há risco de novos fechamentos de fábricas.

“É uma crise monumental que está empurrando a indústria para a redução de investimentos, com risco de fechamento de fábricas e demissões. O Brasil é um país de modal rodoviário e o pneu é um insumo estratégico. Se desorganizarmos a indústria, teremos problemas no futuro”, disse à coluna Rodrigo Navarro, presidente da entidade.
Em dezembro de 2025, Michelin fechou fábrica em Guarulhos (SP) – B CHRISTOPHER/ALAMY
Em dezembro de 2025, os pneus importados engoliram uma fatia de 68% do mercado de reposição no Brasil, contra 32% de peças nacionais. Antes da pandemia, o fluxo era invertido, conforme dados da Anip.
Segundo a associação, 37,7 milhões de pneus foram produzidos no país em 2025, número que representa queda de 5,8% em relação ao ano anterior.
O grosso da concorrência está no mercado de reposição, isto é, na troca de pneus em veículos que já estão em circulação, e não os que são aplicados em veículos recém-fabricados.
Navarro culpa a retração do mercado doméstico à Lei Liberdade Econômica, em vigor desde 2021 e que, segundo ele, permitiu que produtos conseguissem entrar no Brasil com valores baixos, às vezes até inferiores ao preço da matéria-prima praticado no mercado internacional.

O presidente da Anip diz que esse cenário representa uma situação de “dumping”, prática de comércio desleal. Os produtos vêm, sobretudo, de países como China, Vietnã e Índia.
A entidade está em contato com o governo para criar mecanismos para melhorar o ambiente competitivo no país. O principal argumento usado é que situação atual da indústria pode afetar produtores de borracha, fornecedores de aço, químicos e têxteis, também envolvidos na produção de pneus.
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2026/01/apos-michelin-fechar-planta-entidade-diz-que- setor-de-pneus-esta-diante-de-crise- monumental.shtml?utm_source=sharenativo&utm_medium=social&utm_campaign=sharenativo


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